12 de junho de 2010

Margriet

A cerveja belga da Het Anker apresentada hoje foi elaborada para o público feminino. Em sua formulação são utilizados quatro diferentes tipos de grãos e também rosas novas, sim, eu disse rosas!! Antigamente esta cerveja era conhecida como Anker Blond. Magriet, como hoje é conhecida, foi o nome dado quando das festividades “Mechelen, city in woman hands”. Na verdade trata-se de uma homenagem a Margaret (Margaretha), princesa de Habsburgo, Áustria, que foi guardiã de Charles V (Carolus, lembram??). Seguem as impressões da feminina Margriet:

Margriet
Deg. 23/04/2010
Família – Ale
Estilo – Belgian Pale Ale
Teor de álcool – 6,5 %.
Temperatura de serviço – 5 a 7 graus (rótulo indica de 6 a 9 graus)
Cor – Laranja pálido, levemente turva.
Espuma – Excelente formação e boa duração, cremosa, branca e firme.
Aroma – Rosas, doce, cítrico, (fermento?).
Sabor – Leve corpo, média e fina carbonatação, levíssimo álcool, doce, cítrica, especiarias, final levemente amargo.
Veredicto – Boa cerveja com corpo leve, delicado e feminino. Interessante que o álcool se faz presente no sabor e levemente no aroma também. Vale o preço praticado!! A diferença desta versão é a utilização de rosas na receita, do mais uma boa pale ale belga como outras...

9 de junho de 2010

Colorado Vintage Black Rapadura

Estava curioso para experimentar a imperial stout da Colorado. Assim como todas as versões da cervejaria de Ribeirão Preto/SP, esta também utiliza ingrediente regional em sua composição, no caso, a rapadura queimada (daí o nome Black Rapadura). Segundo a cervejaria, a Black Rapadura é uma vintage, ou seja, uma cerveja para guarda que deve evoluir com o tempo. Infelizmente consegui uma única garrafa por um preço exagerado demais. Mesmo sabendo que estava pagando um valor bem acima do real, não haveria possibilidade de viagem para Ribeirão tão já, e a curiosidade falou mais alto. Alguns problemas referentes a licença do Ministério competente impedem sua comercialização, mas este é outro assunto. Seguem as impressões da Colorado Vintage Black Rapadura:

Colorado Vintage Black Rapadura
Deg. 04/06/2010
Família – Ale
Estilo – Imperial Stout.
Teor de álcool – 10,5 %.
Temperatura de serviço – 10 a 15 graus.
Cor – Preta.
Espuma – Excelente formação e ótima duração, dourada.
Aroma – Toffee, chocolate, licor de café, torrado, álcool evidente que deve diminuir com o tempo, (lúpulo leve??).
Sabor – Encorpada, baixa carbonatação, café, torrado, amargor de malte torrado e lúpulo, álcool, doce da rapadura (talvez sugestionado??), chocolate, licorosa, sensação quente.
Veredicto – Boa versão nacional de imperial stout ou russian imperial stout. Este estilo tipicamente inglês, era produzido para ser exportado para os países colonizados pelo Império Britânico. O czar russo Alexander, também apreciava muito o estilo. Daí o nome russian imperial stout. São cervejas complexas, encorpadas, com muito torrado, álcool e lúpulo. Assim é a Black Rapadura, inclusive com 60 IBU (20 IBU a mais que na Indica que também utiliza outro tipo de rapadura). Boa cerveja para ser degustada com calma e na temperatura recomendada, nunca abaixo de 10 graus. Porém, criou-se muita expectativa sendo que já há no mercado outra boa imperial stout (não com proposta vintage), produzida pela Schornstein, agora com fábrica também em Holambra/SP.

5 de junho de 2010

Birra Duan Bianca

Há pouco tempo começaram a chegar cervejas italianas, que embora também seja um país com pouca tradição cervejeira, possui várias marcas e entre elas a Birra Moretti, que a exemplo da AB Inbev (que importa Leffe, Franziskaner, dentre outras) é trazida pela Fensa. Também temos duas versões da cerveja Birra Duan desembarcadas aqui, a Bianca e a Ambrata. A Birra Duan é uma nova cervejaria artesanal, localizada em Puglia, no sul da Itália, e que produz cervejas em garrafas de 750ml, mas não arrolhadas. Na produção das Duan, são utilizadas matérias-primas importadas da Bélgica e da França. Seguem as impressões, para debutar as italianas, da Birra Duan Bianca:

Birra Duan Bianca
Deg.15/05/2010
Família – Ale
Estilo – Witbier.
Teor de álcool – 5,0 %
Temperatura de serviço – 4 a 6 graus. ( de 7 a 8 graus pela cervejaria)
Cor – “Mel pálido”, turva.
Espuma – Boa formação e média duração.
Aroma – Cítrico, frutado, maçã, fermento, (mel?), (lúpulo).
Sabor – Médio/leve corpo e boa carbonatação, cítrico, seca, frutada, maçã, refrescante, leve doce, leve fermento, (avinagrado?), amargor final de lúpulo leve e agradável.
Veredicto – A mais diferente witbier que degustei. Lembra demais um espumante. Nada de cravo e temperos como se esperava, mas sim a maçã em evidência. Esta Duan é refermentada na garrafa e é até interessante porém, não justifica seu preço: em média R$ 65,00. Também indiquei temperatura de serviço mais elevada do que recomendo normalmente para as witbiers (de 2 a 4 graus), pois no caso, realça sabor e aroma desta cerveja italiana. Destaque para garrafa e rótulos que mais uma vez prova o bom gosto do povo italiano.
Qualquer pessoa que já esta acostumado com cervejas diferenciadas e estilos especiais, indicaria um copo do tipo “tumbler” (copo da Hooegarden) para degustar esta cerveja em questão, por se tratar de uma witbier. Porém, em nada é comprometida se bebe-la na taça, como fiz. Explico: tanto nesta versão da Duan como na Estrella Damm Inedit e mesmo na La Trappe Witte e Unibroue Blanche de Chambly, todas witbier, a própria apresentação da garrafa pede algo mais sofisticado para degusta-la. Inclusive a versão citada da La Trappe indica no rótulo o uso de taça, bem como a Duan Bianca.

2 de junho de 2010

Gouden Carolus Cuvée Van de Keizer Blauw

Inicio as postagens de junho, mês da copa do mundo, em grande estilo. Segundo as histórias da cidade de Mechelen, a Gouden Carolus Classic era considerada a cerveja do Imperador. A cerveja foi batizada com o referido nome em referência as moedas douradas do Imperador Charles V. “Gouden Carolus” de “Golden Charles” é uma mistura de flamengo e latim. A Cuvée Van de Keiser Blauw é uma edição especial de Classic, fabricada apenas no dia 24 de fevereiro de cada ano, data de aniversário do Imperador Charles V. Embora a “base” desta preciosidade seja a versão Classic, trata-se de uma cerveja totalmente diferente a começar pelo tempo de guarda que pode chegar a dez anos. As impressões da fantástica Cuvée Van de Keiser Blauw, safra 2008:

Gouden Carolus Cuvée Van de Keizer Blauw
Safra 2008
Deg. 29/05/2010
Família – Ale
Estilo – Strong Dark Ale
Teor de álcool – 11,0 %.
Temperatura de serviço – 8 a 12 graus.
Cor – Marrom com reflexos avermelhados, límpida.
Espuma – Média formação e média duração, dourada.
Aroma – Doce, chocolate, torrado, frutas vermelhas e pretas, cereja, leve álcool, vinho.
Sabor – Encorpada, média carbonatação, doce evidente, torrado, chocolate, frutas pretas, ameixa, frutas vermelhas, cereja, licorosa, leve álcool, vinho do porto.
Veredicto – Cerveja dos deuses!!! Complexa ao extremo!!! Provavelmente a melhor cerveja que já degustei. Intensa e saborosa. Não era de se esperar diferente, pois utiliza como cerveja base a Carolus Classic que é excelente. O álcool é muito bem inserido no todo. Além de uma cor maravilhosa, apresenta dulçor bastante evidente, mas incrivelmente não enjoativo. Santa Cerveja !!

30 de maio de 2010

Fuller's Vintage Ale 2008

Mais uma da britânica Fuller’s, e esta, talvez a mais especial importada pelo Brasil. Trata-se de uma versão que utiliza os melhores maltes e lúpulos do ano na sua fabricação, além de fermento especial da Fuller’s. A Fuller’s Vintage vem sendo produzida todos os anos desde 1997. Todas as garrafas recebem um número de série e no caso da edição 2008, foram produzidos 145 mil exemplares. A embalagem é realmente bonita e a cerveja... Depois desta, fico devendo a postagem somente da Fuller’s IPA, que prometo, logo estará blogada. Seguem as impressões da Fuller’s Vintage Ale 2008:
...






A Fuller's Vintage e sua bela embalagem!!













Fuller’s Vintage Ale 2008
Garrafa nº 76318

Deg. 08/05/2010
Família – Ale
Estilo – Old Ale
Teor de álcool – 8,5 %.
Temperatura de serviço – 8 a 10 graus.
Cor – Cobre/âmbar, turva.
Espuma – Boa formação e média/baixa duração, bege clara.
Aroma – Caramelo, doce, frutas cristalizadas, leve lúpulo, leve álcool.
Sabor – Encorpada, média/baixa carbonatação, álcool, amargor agradável, leve cítrico, doce, caramelo, toffee, fermento, frutas vermelhas/cereja, final equilibrado de doce e amargo.
Veredicto – A primeira “safra” data de 1997. A cada ano desde então, a Fuller’s inova buscando os melhores lúpulos e maltes de cada ano para formular a sua Vintage. Esta “safra 2008” utilizou malte Maris Otter e lúpulos Challenger e Northdown. Não há como falar mal desta cerveja. Realmente é fabricada com todo o cuidado e com as melhores matérias-primas. Cerveja forte, mas gostosa de beber, até por quem não imagina que uma cerveja possa ter 8,5% de álcool. Garrafa e rótulo elegante, lembrando garrafas de uísque. Além do mais vem acondicionada em uma bela caixa vermelha/vinho. Finesse ao extremo!! Lógico, o preço não ajuda e a versão 2009 já está a venda na média de R$ 60,00.

27 de maio de 2010

Steenbrugge Blond

No ano de 1898, o abade Amandus Mertens decidiu honrar a amada Abadia de St. Peter com sua própria cerveja, em memória de seu fundador, St. Arnold, o santo patrono dos fabricantes belgas de cerveja. Um grande relicário do santo permanece até hoje conservado na Abadia, localizada na província de Steenbrugge, em Flandres, Bélgica. Após um recesso durante a Primeira Guerra Mundial, as pessoas que moravam próximas à abadia pediram aos padres para que continuassem produzindo a Steenbrugge, de acordo com a receita herdada. O segredo de seu sabor encorpado foi guardado e tem sido desde então passado por gerações de mestres-cervejeiros. Primeiro, pelo irmão Gamaliël, então por seu sucessor, padre Victor. Posteriormente, aos produtores leigos, que criaram a cerveja de abadia Steenbrugge como ordenado pelos padres, foram ensinados os truques do ofício. Em 2003, o superior da Abadia de St. Peter autorizou a cervejaria Palm a produzir as Steenbrugge. Na próxima postagem, que será sobre a versão Dubbel, falarei um pouco sobre St. Arnold e também sobre um ingrediente que diferencia as cervejas Steenbrugge de outras de abadia, o Gruut. Seguem as impressões da Steenbrugge Blond:

Steenbrugge Blond
Deg. 20/04/2010
Família – Ale
Estilo – Blond Ale (Abadia).
Teor de álcool – 6,5 %.
Temperatura de serviço – 5 a 7 graus (rótulo indica de 8 a 12 graus)
Cor – Dourada, levemente turva.
Espuma – Ótima formação e boa duração, cremosa, bege clara.
Aroma – Especiarias, cravo, maltes, doce, caramelo, pêssego, herbal (mas não de lúpulo).
Sabor – Médio corpo e média carbonatação, doce e amargo em equilíbrio, maçã, certa adstringência, seca, estrutura aveludada.
Veredicto – Muito boa cerveja. Abadia com excelente drinkability. Porém, é mais aromática que saborosa. Apresenta uma estrutura fina e elegante, além de um belgian lace nota dez e assim como a versão dubbel, é refermentada na garrafa.

23 de maio de 2010

Meantime London Porter

Continuo firme na degustação das inglesas Meantime. Experimentei a pouco, a versão porter que não decepcionou. Seguem as impressões da Meantime London Porter:

Meantime London Porter
Deg. 19/05/2010
Família - Ale
Estilo - Porter (Robust Porter)
Teor de álcool - 6,5 %
Temperatura de serviço - 8 a 10 graus
Cor - Marrom escuro com reflexos avermelhados.
Espuma - Boa formação e ótima duração, dourada e firme.
Aroma - Chocolate meio amargo, doce, leve torrado, café, (leve lúpulo?).
Sabor - Médio corpo, média carbonatação, chocolate, café, torrado, leve acidez do malte torrado, discreto amargor com final doce e de chocolate meio amargo.
Veredicto - Uma robust porter legítima. Corpo, aroma e sabor um pouco mais intensos que nas porters mais "delicadas", mas não mais intensos que em uma stout. Esta versão refermentada na garrafa, juntamente com a versão para o estilo em questão da Fuller's foram as mais equilibradas que degustei.